Sem saber viver...















Felicito quem nunca perdeu. Nunca chorou. Nunca sofreu. Nunca se rasurou.
Espanto-me com quem, nunca chorou de saudade, nunca sentiu ciúmes, não cometeu insanidade, não se atrapalhou com os sentimentos, não sentiu tristeza e não conhece solidão.
Não compreendo quem nunca tropeçou, não fez tentativas, não cometeu tolices, não teve sonhos impossíveis, não confiou no acaso, não deu ouvido à sorte, não sorriu de seus equívocos, não teve tonturas de amor.
Lamento quem não esqueceu de esquecer, não fez força para continuar, não se interessou por um olhar, não valorizou um gostar, não respeitou uma lembrança, não ficou feliz feito criança...Lamento muito quem não teve tempo para amar.

Ita Portugal

Mimo...





Ganhei este mimo da amiga Lourdes do blog :
http://professoralourdesduarte.blogspot.com.br/

Muito obrigado minha amiga por sua delicadeza e sensibilidade...Amei.
Beijos.


Simplifique sua vida...



















Tudo que é belo tende a ser simples. Afirmação generalizante? Não sei. O que sei é que a beleza anda de braços dados com a simplicidade.Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins. Vida que se ocupa de ser só o que é.
Não há conflito nas bromélias, não há angústia nas rosas, nem ansiedades nos jasmins.Cumprem o destino de florirem ao seu tempo e de se despedirem do viço quando é chegada a hora. São simples. Não querem outra coisa, senão a necessidade de cada instante. Não há desperdício de forças, não há dispersão de energias...Tudo concorre para a realização do instante. Acolhem a chuva que chega e dela extraem o essencial. Recebem o sol e o vento, e morrem ao seu tempo.

Simplicidade é um conceito que nos remete ao estado mais puro da realidade. A semente é simples porque não se perde na tentativa de ser outra coisa. É o que é. Não desperdiça seu tempo querendo ser flor antes da hora. Cumpre o ritual de existir, compreendendo-se em cada etapa.

Já dizia o poeta: "Simplicidade é querer uma coisa só". Eu concordo com ele. O muito querer nos deixa complexos demais. Queremos muito ao mesmo tempo, e então nos perdemos no emaranhado dos desejos. 
Há o risco de que não fiquemos com nada, de que percamos tudo.

Aquele que muito quer corre o risco de nada ter, porque o empenho e o cuidado é que faz a realidade permanecer. O simples anda leve. Carrega menos bagagem quando viaja, e por isso reserva suas energias para apreciar a paisagem. O que viaja pesado corre o risco de gastar suas energias no transporte das malas. Fica preso, não pode andar pelo aeroporto, fica privado de atravessar a rua e se transforma num constante vigilante do que trouxe.

A simplicidade é uma forma de leveza. nas relações humanas ela faz a diferença. O que cultiva a simplicidade tem a facilidade de tornar leve o ambiente em que vive. Não cria confusão por pouca coisa; não coloca sua atenção no que é acidental, mas prende os olhos naquilo que verdadeiramente vale à pena. Pessoas simples são aquelas que se encantam com as coisas menores. sabem sorrir diante de presentes simbólicos e sem muito valor material. A simplicidade lhe capacita para perceber que nem tudo precisa ter utilidade. E por isso á fácil presentear o simples.

Dar presentes aos complicados é um desafio.Não sabemos o que eles gostam, porque só na simplicidade é possível conhecer alguém. Só depois que as máscaras caem pelo chão e que os papéis são abandonados a gente tem a possibilidade de descobrir o ouro na sua verdade.

Eu gostaria de me livrar de meus pesos.Queria ser mais leve, mais simples. Querer uma coisa só de cada vez. Abandonar os inúmeros projetos futuros que me cegam para a necessidade do momento. Projetos futuros valem à pena, desde que sejam simples, concretos e aplicáveis.

Não gostaria que a morte me surpreendesse sem que eu tivesse alcançado a simplicidade. Até para morrer os simples têm mais facilidade. Sentem que chegou a hora, se entregam ao último suspiro e se vão.
Tenho a intuição de que quando eu simplificar a minha vida, a felicidade chegará em minha casa , quando eu menos esperar.

Padre Fábio de Melo

Amigo de si mesmo...

















Em seu livro " Quem Pensas Tu Que Eu Sou " ? , o psicanalista Abrão Slavutski reflete sobre a necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros? Os ensaios que compõem o livro percorreu vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como Se o Cigarro da Garcia Márquez Falasse, Somos Todos Estranhos ou A Crueldade é Humana. Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula de sabedoria. Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca:            "Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a  ser amigo de mim mesmo".

Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com solução simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó pirilimpimpim.

Para ser amigo de si mesmo á preciso estar atento a algumas condições do espirito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E ai enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.

Ser amigo de si mesmo passa também  pelo bom humor. Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: " Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza ".É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.

Amigar-se consigo mesmo também passa pelo que muitos chamam de egoismo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presentei-se com boa música. bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto "ser amigo de si mesmo".

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha "sou rebelde porque o mundo quis assim". Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância. Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca de 2.000 anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo.

Crônica de Martha Medeiros.








Que o vento leve...
















A vida não é fácil, mas desistir dela...quem há de? Num dia, se sobe; noutro se desce, mas não se pode desanimar, esse movimento é que mantém a gangorra funcionando. Se a gente para, a vida não tem sentido. É manter passo firme, a cabeça erguida e o desejo de acertar.

Rotina tranquila é dormir bem, com as contas pagas, despensa guarnecida e a consciência limpa, sem medo de acordar no dia seguinte para recomeçar a luta. Como falo em um dos meus poemas, " viver é representar a fragilidade das flores colhidas e a transparência dos cristais "...é ter deles  a leveza que entrega ao vento o que não deve ficar ! Que o vento leve toda aspereza e, no coração, só fique a veludosa textura do amor "

Aila Sampaio





Amor sem esforço...

















Seria bacana se agente pudesse dissolver a ilusão de que para sermos amados temos que ser outros que não  nos habitam. Outros que não somos. Outros que, no fundo, não podemos ser, mas também não precisamos. 

Ter outras caras. Outros corpos. Outros gostos. Outros sonhos. Outros jeitos. É inútil qualquer esforço de tentar caber onde o nosso coração não está. Onde ele não pode nadar livremente, no tempo e no ritmo das próprias braçadas, aproveitando, feliz o contato com a vida. Há um desperdício imenso de energia nessa história. É tenso demais viver para agradar, em troca de pertencimento, reconhecimento, alguma afeição. 

Maquiar as emoções, boicotar a própria essência, trocar a luz natural por luminárias artificiais, bolar planos fantásticos para chegar ao coração de quem quer que seja. Cansa só de imaginar.

Além de inútil, é perigoso. Perigoso porque dói, mesmo quando faz aumentar nossos índices de popularidade. Nosso catálogo de endereços eletrônicos. Nossas referências no caderno de telefones. Nossa lista de contatos do celular. Perigoso porque requer de nós muito malabarismo emocional para não trairmos as personagens que criamos para atender as demandas alheias. É trabalhoso demais tentar ser o que não se é.Exaustivo. Drenagem pura. E, no fim das contas, o que buscam essas pessoas que queremos que nos amem? Procuram por nós ou pelas pessoas que tentamos parecer? Por nós ou pelas pessoas que querem que sejamos? Se não for por nós, não tem importância alguma. A leveza escoa, assustada, ralo a fora. Se não for por nós, não é de verdade.

De vez em quando nós lembramos para, em geral, esquecer outra vez pouco depois: o amor não pede esforço. O amor acontece. Somos amados assim do nosso jeito. Assim do nosso tamanho. Assim do nosso lugar. Somos amados como somos, já preciosos. Isso é de uma liberdade que raramente sentimos ser capazes. As pessoas mais interessantes que conheço não fazem sacrifícios para serem amadas. São do jeito delas. Se são amadas, maravilha. Se não, vida que segue, mais a frente os encontros virão e é bem provável que tenham mais a ver com elas. A diferença que conta é que, à parte o amor que possam receber, elas são amadas por elas mesmas. Estão confortáveis por ser como dá pra ser a cada instante.

São pessoas que não querem mostrar nada além da espontaneidade que já conseguem. Não querem caber onde lhes falta espaço. Não têm a pretensão de ter montes de amigos: se tiverem um, capaz de amá-las, de verdade, já estão no lucro. Querem amar e ser amadas, sim, desde que cada pessoa tenha liberdade para ser. Nadam no ritmo delas, no tempo delas, nesse mar de águas tantas vezes turbulentas da vida. E consideram cada braçada uma vitória. Uma possibilidade de encontro. Se não acontecer, vez ou outra, continuam contando com o próprio pertencimento. O próprio reconhecimento. A própria afeição.

Ana Já como


Você quer saber onde está Deus...





















Estamos nos armando de tudo o que é tipo de tranqueira material para suprir o vazio que nada preenche. Vamos ao supermercado esperando encontrar felicidade nas prateleiras, mas voltamos frustados, com o carro cheio e a alma vazia.

Nunca o homem teve tanto acesso a Deus e nunca ficou tão distante como agora, tantos templos, tantas religiões, tantas definições e ideologias, e mesmo assim, o homem se afasta cada vez mais do seu criador. por isso a carência afetiva, as doenças nervosas, a violência que se espalha, o consumismo que gera as diferenças sociais tão brutais. E nada sacia o homem, quanto mais ele acumula, quanto mais possui, mais vazio vai se tornando.

Aproveite seu dia, busque encontrar Deus pelo caminho, na pessoa que sentou-se ao seu lado no ônibus, no vizinho que você não cumprimenta faz tempo, no animal abandonado que você quase atropela, na árvore que seca bem em frente a sua casa, co cidadão deitado no banco da praça, no filho que se embriaga e você nem vê, na filha que sofre a desilusão do primeiro amor e você nem sabe.

Quantos gritam onde está Deus? Cegos pelo orgulho que não permiti ver que Ele nunca se ausentou, sempre esteve na sua vida, no seu dia, na sua família, mas nunca foi chamado, a não ser nas desgraças e nos momentos de dor e sofrimento.

Você convidou Jesus para almoçar com você hoje? No dia do seu casamento você mandou o primeiro convite pra Ele? Na sua formatura Ele estava presente? Hoje ao levantar-se você falou com Ele? Você contou do seu amor, da sua alegria no trabalho?

Você quer saber onde está Deus? Olhe para a sua vida, como você trata os seus, olhe para a sua casa, reveja suas atitudes diárias. Os atos falam mais do que as palavras e tudo o que fazemos, são as verdadeiras orações que levamos até Ele. Por isso, antes de fazer sua oração repetida, velha e cansada, coloque um " fogo novo " na sua vida. Convide Jesus para participar de todos os seus momentos, e assim, você será preenchido, saciado, envolvido pelo amor que nunca acaba, pela água que sacia a sede, e então, mesmo com muito pouco, serás plenamente feliz, porque Ele veio para que todos tenham vida, e tenham vida com abundância.

Paulo Roberto Gaefke







Amar virou coisa de gente corajosa...















" Não adianta. Mudam-se as cores do inverno, os sorrisos, as páginas das revistas, as dez mais bonitas. Mudam-se as tecnologias, as manchetes, o preço do pão, o jeito como você corta o cabelo. Mudam-se os sonhos, o clima lá fora, o tom do batom, a decoração, o que você espera de si mesma.


Tudo muda no mundo todo. Mas uma coisa não muda. Não sai de moda. Não fica velho, nem ultrapassado...Quer saber? Acho amar a coisa mais eterna que existe. Não há nada mais moderno. Mais transgressor. Mais ousado - e mais antigo - que isso. Num tempo onde as pessoas mal têm tempo, amar virou coisa de gente corajosa. "

Fernanda Mello

Aproveitar a paisagem...














" Pois, diante desse imenso ponto de interrogação que é o futuro de todos nós, reformulei minhas crenças; estou me dando o direito de não pensar tanto, de me cobrar menos ainda, e deixar para compreender depois...Desisti de atracar o barco e resolvi aproveitar a paisagem. "

Martha Medeiros



Sensível Tempero...




















" É trabalhoso nos tornarmos quem somos e não o que a expectativa alheia quer que a gente seja. Exercer nossas singularidades. Escolher tendo como critério o que realmente importa e tem significado para o nosso coração. Priorizar a nossa satisfação, mesmo que, muitas vezes, isso implique interagir com as armadilhas que aqueles que não priorizam o que querem costumam criar para tentar minar a nossa força. Resistir a não compactuar com aquilo que faz com que nos desrespeitemos em troca de aliança e enganosa proteção. Buscar pertencimento, desde que ele não nos custe deixar de pertencer a nós mesmos. E nos afaste da nossa alma. E nos contraia a espontaneidade. E nos encolha a alegria.
É trabalhoso seguir esse caminho e não há retorno depois que enveredamos nele. Ele nos leva a descobrir nossos dons e colocá-los a serviço da vida, ainda que não se enquadrem na categoria do que costuma ser entendido como sucesso. A buscar o sensível tempero que permite que agrademos aos outros sem nos desagradarmos. A assumir responsabilidade pelas nossas escolhas e lidar com as dádivas e as dificuldades  que isso envolve. A não ceder a tentação de atribuir a alguém, a Deus, ao Universo, o ônus pelos nossos eventuais prejuízos. "

Ana Jácomo

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